Infância

 

Escrito em 20 de abril de 2010

Primeiramente, eu quero me desculpar com meus leitores pelo atraso na postagem. Estou sem grana para ir a lan house e por isso não deu pra atualizar o Diário de 1 MC. É mano. Enquanto os rappers na América do Norte pagam de carrão cheio de mulheres, exibindo grana e cantando uma merda de música nojenta sem conteúdo, o MC  (maioria) brasileiro sequer tem PC pra poder atualzar seu blog. Tem nada não, isso muda em um dia próximo!

 

Sem mais delongas… Eu sempre fui determinado, isso não é de hoje. Quando eu era moleque e minha mãe não queria me dar dinheiro pra jogar videogame, sabe o que eu fazia? Ia catar latinhas, alumínio, cobre, papel e outros materiais recicláveis para vender.

 

Minha mãe ficava bolada. Dizia que a gente não tava passando fome e nem necessidade para estar fazendo aquilo. Não estávamos ainda, né? Passamos “mó” perrengue financeiro. Havia dia em que almoçávamos e não jantávamos por não ter comida.

 

A pior época foi quando a gente morava em Campo Grande, Zona Oeste do Rio. Nesse tempo minha mãe não ganhava o suficiente para pagar aluguel e fazer as compras básicas do supermercado. Perdi a conta de quantas vezes eu ia nos sacolões nos fins de tarde fazer chepa, ou seja, pegar os legumes, verduras e frutas que não serviam para a comercialização e eram descartados pelos comerciantes.

 

Muitas vezes essa chepa era era tudo o que tínhamos para comer no dia. Eu e meu irmão chorávamos pra caramba, de fome, às vezes, sem café da manhã e almoço. Sobrevivi a mais essa batalha junto com minha mãe – uma grande guerreira – e meu irmão, Arthur.

 

Meses depois voltamos a morar no Caju. Lá continuamos a sofrer, mas como havia dito anteriormente, minha tia nos ajudava pra caramba, bendita seja!

 

Aos nove anos de idade comecei a minha experiência com o álcool. No começo foi champangne e vinho nas festas de fim de ano, depois veio a cerveja, etc. Todo o tipo de bebida que você possa imaginar eu já tinha experimentado na minha adolescência.

 

Outra fita embaçada que rolou na minha “infância” foi a influência de amigos e colegas da quebrada no diz respeito à práticas de vandalismo e pequenos furtos. Infelizmente, eu me tornei um menor vacilão. Quase morri na comunidade ao ser flagrado furtando alguns materiais recicláveis nas dependências de uma empresa.

Quem me pegou? Um traficante. Ele mesmo me mataria, pois, a lei da favela dominada por tráfico de drogas dizia (ainda diz) que roubo deveria ser punido severamente, se cometido ali na área. Na maioria dos casos a punição era a morte, para que a pessoa que cometeu o vacilo servisse de exemplo para outras, mostrando que não havia impunidade na favela. Essa era a lei. Por quê a minha pessoa saiu dessa ilesa?

 

Fui pego por uma dupla. Um deles estava armado e quis tomar a iniciativa de atirar em mim, mas o outro reconhecendo de quem eu era filho, o impediu de cometer esse ato. O cara conhecia minha mãe, dona “Vanessa”. Ele sabia que ela era uma mulher guerreira, trabalhadora, que lutava bastante para sustentar e educar seus dois filhos.

 

Ele propôs, então, comunicar a minha mãe o fato ocorrido e pediu para que ela mesma me corrigisse a sua maneira. O “coro comeu” de novo nos “meus cornos”, foi uma das piores surras que levei (risos). Nunca mais eu roubei. Bom… Pelo menos na comunidade.

 

Eu já ia encerrar o capítulo da infância, mas falta falar sobre outras tretas que rolavam. Eu brigava demais na escola e na rua, mano. No início eu era muito mole e os moleques se aproveitavam de mim, tomavam dinheiro, pipas, bolas de gude, etc. Mas um belo dia… Eu revoltado com tudo isso comecei a bater em geral, quebrei um por um dos moleques que me batiam e me maltratavam na quebrada. Obtive respeito ao enfrentar os mais valentões da área e nunca mais os malucos mecheram comigo.

 

A história continua… Quando eu conseguir dinheiro novamente pra vir na lan house. A ideia é atualizar diariamente, sacou? Aceito patrocínio (risos).

 

Divulguem aos quatro cantos, pois minha história ainda vai servir de exemplo para muita gente. Fica na paz, família! Muita fé e juízo na mente, hein rapaziada!

 

 Nova Iguaçu, 20 de abril de 2010

@Petter MC


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Um pensamento sobre “Infância

  1. É guerreiro… É tanta história pra contar… Mas ai parabéns por compartilhar essas experiências consco, num é qualquer um não, que tenha essa coragem de ir a público falar de fitas como essas. Temos que ser fênix no Apocalipse! Forte abraço guerreiro!

Véi, disserte sobre o assunto!

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