Adolescência – O reencontro com meu pai

Cara, o reencontro com meu pai não foi do jeito que eu imaginava. Segundo minha mãe, ele tinha prometido que, ao chegarmos lá em Campina Grande, ele nos daria uma casa e não pagaríamos aluguel. Por causa disso, chegamos lá gastando os poucos trocados que minha mãe levou do Rio.

Tipo, a gente já chegou almoçando em restaurante bom. Passamos uma semana comendo fora, porque ainda não tínhamos fogão. E ficamos sem fogão por muito tempo.

Mas na verdade, o que meu pai supostamente prometeu não foi cumprido. A parada da casa não rolou, mas por um tempo ele pagou nosso aluguel num bairro da periferia da cidade chamado Três Irmãs. Alem desse aluguel ele também nos dava uma grana semanalmente para que a gente pudesse se alimentar. Não era o suficiente.

Eu só cheguei a ver meu pai quase uma semana depois de termos chegado em Campina Grande. Eu estava na maior ansiedade. Eu tinha poucas lembranças da convivência com ele. Quando vi aquele maluco descendo a rua montado em um cavalo e usando chapéu de couro, de longe eu sabia que era ele e fiquei aguardando que se aproximasse.

Ele é vaqueiro e administra uma fazenda na zona rural da cidade. Trabalha lá desde que se entende por gente. Um sujeito aparentemente grosso e frio. O reencontro não foi caloroso de nenhuma das partes, eu era muito cabreiro com meu pai que deixou a minha por outra mulher. Eu ainda era bolado com ele por causa disso. Passei a vida inteira longe dele, passando necessidade e sem pedir um real. E agora, passaria a depender dele financeiramente.

Embaçado mesmo foi quando eu fui em sua casa pela primeira vez, na Fazenda Bianca. Sua atual esposa (a mesma por quem ele deixou a minha mãe) não gostava de mim, aliás, ainda não gosta até hoje. (Risos). Como pode uma pessoa ter ódio de você sem nunca você ter feito algum mal a ela? Muito pelo contrário: se alguém fez mal ao outro foi ela. Eu acredito.

Semanalmente eu ia na casa do meu pai para trocar ideia, almoçar e ele me dava uns “trocos”, inclusive, nas “intucas” para a mulher dele não ver que ele me dava dinheiro e que minha família era “sustentada” por ele. Sem noção! Eu tinha direito antes dela, né não?

Enfim. Ela também tem um filho com meu pai, que é um reprodutor nato, nem sei a conta de irmãos paternos que tenho por aí. Na adolescência eu já era tio de vários guris e gurias. Minha irmã mais velha tem a idade da minha mãe, para você ter uma ideia. Meus manos e minhas minas, vou terminar por aqui hoje. Amanhã tem mais, fique ligado!

 

Escrito em 02 de maio de 2010
@PetterMC

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