O encontro com o rap

Cresci num lugar do Rio de Janeiro onde os caras escutavam muito Racionais MCs, MV Bill e outros do gênero, mas eu não gostava de rap.

O ano é 2004. Alguns amigos me esmprestam CDs de grupos como: Apocalipse 16, Eclesiastes, Provérbio X e DJ Alpiste. Todos da cena gospel do rap. Achei mó barato o som dos caras.

Eu curtia mais o som do Apocalipse 16, e por isso, comecei a cantar as músicas deles no meio da galera. Os amigos achavam muito massa e diziam que eu levava jeito pra coisa. Um deles me ajudou bastante nessa parada. Seu nome é Israel Barros e hoje ele é pastor da igreja na qual eu congregava em Campina Grande. Me ajudou muito. Foi por influência do Israel que eu me apresentei pela primeira vez, no ano de 2005. O próprio tocou para que eu cantasse junto com a banda da igreja. Foi loucão esse dia!

Eu tava tão nervoso na minha primeira apresentação que o meu rosto não obedecia aos meus comandos e não parava de tremer. Me “zoaram” muito por conta disso. Daí para frente não parei mais e levei o negócio à sério. Me tornei o único rapper (em atuação) cristão da cidade de Campina Grande e um dos poucos no estado da Paraíba. Por causa disso me convidavam para os mais diversos eventos em praças, anfiteatros, etc.

Viajei para a capital do estado, João Pessoa, onde participei de um festival de talentos musicais e venci. Viajei para lá três vezes. Concedi entrevista e cantei ao vivo em rádios locais de Campina Grande. Me apresentei num programa de TV chamado “A Hora do Povo” da TV Borborema, afiliada do SBT.

Apresentações em eventos de rua e trio elétrico também fizeram parte, mas apesar das pessoas curtirem o meu trabalho, eu ainda não era bom. Não que eu seja lá grande coisa hoje em dia, mas com certeza mando bem melhor que antigamente. Pode crer!

Mas aí, problemas começaram a surgir na tal denominação onde eu congregava. Por quê? Porque eu comecei a andar por todo os cantos, cantando rap. O que mais preocupou o pastor foi o fato de eu estar contribuindo com minha música para a obra das outras denominações e não somente com a dele.

Aí bate aquela pergunta: se a obra é de Deus, então porque o cara se preocupa com o crescimento de outra denominação? São todos partes de uma só igreja ou cada um representa o reino de seu próprio deus?

A partir daí, comecei a entender que na maioria das denominações existem membros de um tipo de empresa que visa fins lucrativos. Fique bem claro que eu não estou dizendo que todas as denominações agem dessa forma, porém, a grande maioria, sim.

Muitos pensam que eu larguei a igreja porque queria que a mesma financiasse o meu disco de rap, mas não foi isso que aconteceu. Eu apenas queria apoio moral, que me deixassem à vontade para sair cantando seja aonde fosse, levando a mensagem. Não é essa a missão deixada pelo “Mestre”? “…Vão aos quatro cantos da Terra e façam discípulos…”

Mas aí… Continuei cantando meus raps nos diversos lugares onde me chamavam. Conheci uma galera massa. Os malucos do NH2C – Núcleo Hip Hop Campina Grande – se reuniam numa quebrada da cidade todas as semanas para trocar ideias, rimar, dançar, grafitar, fazer scratchies, etc. Troco ideia com o líder deles (Dj Joh 189) até hoje. Foi muito importante ter conhecido esses caras. Só a partir dali eu fui ter noção do que era a cultura hip hop além das rimas do rap.

Continua…

 

escrito em 27 de maio de 2010

@PetterMC

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