Vivendo na #BaixadaFluminense

Agora eu tinha que me (re)acostumar com o rítmo da metrópole. Agora eu moro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense e não mais na Zona Norte da capital.

Com pouco mais de um mês morando aqui na Baixada Fluminense, consegui um emprego no centro do Rio. Auxiliar de serviços gerais em um restaurante self service de playboy. A princípio eu lavava pratos, depois passei pro atendimento e finalmente passei a ser operador de caixa, a pior coisa que já fiz na minha vida (inacreditavelmente faltava dinheiro diariamente e eu perdia muito do meu salário).

Mano, eu saía de casa às cinco da manhã, pegava um busão lotado e só chegava no trampo quase oito, para você ter uma noção do tempo que leva da minha casa ao centro do Rio com tanto engarrafamento.

Passaram-se três meses e eu já estava cheio daquele trampo e daquele salário que com os descontos não chegava nem a um salário mínimo. Foi quando surgiu um emprego com melhor salário e mais perto de casa que minha “prima do Paraguai” conseguiu pra mim.

Eu pedi baixa na carteira imediatamente e parti pro outro trampo. Não sei se me arrependo de ter feito isso, mas pelo menos por um tempo eu desfrutei de um melhor salário, embora trabalhasse bem mais. Eu morava mais perto deste último e saía de casa duas horas mais tarde. Era um depósito de doces. Trabalhei lá como temporário e eu sabia disso. Corri o risco de não ser efetivado e não fui mesmo. E agora? O que eu fiz?

Pô, eu sempre tive disposição para fazer altas paradas, tá ligado? Foi então que, ao observar altos malucos vendendo doces nos trens metropolitanos do Rio de Janeiro, que eu decidi também investir nesse negócio que acabou não dando muito certo. Por culpa da inexperiência, eu acho.

Não desisti. Através de uma mina conhecida minha, eu fui parar no sinal de trânsito e lá continuo vendendo doces até hoje. Mas pelo menos isso me permitiu ter tempo de voltar a estudar. Aí, fui parar em Mesquita, município vizinho de Nova Iguaçu. Lá eu descobri que tinha uma escola estadual que oferecia supletivo por módulos e à distância. Ainda estou fazendo as provas e em breve (se a matemática não me agarrar) eu termino o ensino médio.

Mas aí, você deve estar querendo saber como ficou o rap depois que cheguei aqui no RJ, né? Pode crer. Eu fiquei uma pá de tempo sem me apresentar em lugar nenhum. Eu não conhecia ninguém e nem sabia onde rolava a cena do rap, aqui no Grande Rio. Mas fiquei estudando e aperfeiçoando os meus raps em casa, gravando alguns sons, escrevendo outros, etc…

Mas num certo dia… Aconteceu uma parada muito massa, véio. Eu tava dando um rolê pela internet e escutando alguns sons quando um parceiro me enviou o endereço do myspace do rapper Dudu de Morro Agudo. Pô, fui escutar o som desse maluco e achei maneiro, sabe qual é? Mais maneiro ainda foi saber que esse maluco era daqui de Nova Iguaçu e que eu poderia conhecê-lo e consequentemente conhecer a cena rap local.

No myspace desse mano, o Dudu de Morro Agudo ou DMA, eu percebi um flyer de um evento que ia rolar em Janeiro de 2010 (ainda era Novembro de 2009). Seria o 8º Encontrão – Festival de hip hop realizado pelo Movimento Enraizados. Achei uma ótima oportunidade de começar do zero a minha caminhada no rap, conhecendo pessoas e iniciando a minha rede de contatos da cultura hip hop local.

Inscrevi minha música “RAPeiro Nordestino”, que eu gravara em casa, no PC da minha prima, sem nenhum recurso profissional e sem nem mesmo entender de produção musical. Pensei que seria bem difícil ter meu som aprovado para a final, já que muitos caras bem melhores que eu estavam inscritos.

Mas… Derrubando as barreiras que tinham na sua frente, o jovem nordestino conseguiu ser aprovado para a final com mais quatro concorrentes.

A final aconteceu no dia 10 de Janeiro de 2010, no Espaço Enraizados. Num domingo de verão super quente. O dia já começou sinistro com uma oficina de produção musical, ministrada por um dos caras mais “phodásticos” da produção musical neste país, cuja história se confunde com a história do rap nacional, DJ Raffa, do Distrito Federal.

Durante a tarde rolou uma troca de ideias sobre o hip hop nos tempos atuais com Dudu de Morro Agudo, Boca Floja (México) e DJ Raffa (DF). Eu até inventei de falar em espanhol com o nosso visitante mexicano, que aliás, manda muito bem nos raps. Sinistro ele.

No final da tarde rolou a tão esperada final de rap com o seguinte resultado: 1º K-Bide, 2º Geração Consciente, 3º Gálatas MCs, 4º Petter MC e 5º Ualax MC . Saí muito satisfeito com o quarto lugar. Sabe por quê? Pelo fato de eu ter ganhado muito mais ali, mano. Ganhei amigos e chegados. Fiz contatos com pessoas de diversas partes, e algumas são bem chegadas hoje.

Bom. A história já chegou ao ano de 2010. Continue acompanhando!


Escrito em 02 de julho de 2010
@PetterMC

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