O primeiro emprego formal

Havia um mês que eu morava em Nova Iguaçu. Ajudava o meu tio como cobrador de van (transporte alternativo), procurava escola para fazer curso supletivo e tentava arrumar emprego formal. Não tinha terminado nem o ensino fundamental e isso dificultava muito na busca de um emprego com carteira assinada. Mas eu consegui. Meu tio falou com uns contatos e as coisas aconteceram.

Fiquei muito nervoso na entrevista. Poxa, era a minha primeira entrevista de emprego, cara. Mas eu me saí bem e consegui a digníssima vaga de auxiliar de serviços gerais, no restaurante Delight, no centro do Rio. De manhã eu limpava chão, à tarde eu lavava pratos. Ganhava um salário mínimo. Com os descontos da época o líquido ficava em torno de uns 420 reais.

Eu acordava às 4h30, saía às 5h, pegava o “busão” lotado às 5h15 e chegava às 7h45 no restaurante. Iniciava os trabalhos às 8h15, largava às 17h15, andava 1,5km pra pegar outro “busão” lotado e só chegava em casa às 21h. Jantava. Dormia. Não vivia.

Tinha voltado ao Rio de Janeiro decidido a me dar bem na vida. Mas como ia fazer isso sem estudar, sem me capacitar? Não tinha tempo pra estudar porque tinha que trabalhar. O trabalho, por sua vez, me rendia um salário de miséria. Vivia com o meu tio e tinha que ajuda-lo de algum modo. No final, não me sobrava dinheiro pra comprar nada.

Na minha primeira participação na reunião (mensal) da empresa, o dono chegou pra mim e perguntou:
Você tá gostando de trabalhar aqui?
Não.
Como assim não está gostando? Então, o que você faz aqui?
Senhor, não gosto porque não é isso que almejo pra minha vida. Não vou aceitar ganhar 420 reais por mês pelo resto da vida. Mas nesse momento eu preciso deste salário e enquanto estiver aqui na sua empresa, darei o meu melhor, posso lhe garantir.

Três semanas depois eu subi um cargo. Parei de lavar pratos e fui atender os clientes no salão. Um mês depois fui pro caixa do restaurante e o salário aumentou um pouquinho. Já ganhava 500 reais. Mas ainda não tinha tempo pra estudar e melhorar de vida.

No terceiro mês, cheguei três horas atrasado e com o meu pedido de demissão na mão. Ninguém entendeu nada. Não queriam que eu saísse de lá, mas eu estava decidido. Tinha conseguido um emprego que me pagaria 750 reais/mês e que ficava bem mais perto de minha casa. Mas também não deu certo… Continua.

Abs

@PetterMC

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