Na rua, garantia meu sustento em poucos segundos

Se você acompanha os nossos capítulos, com certeza leu o último e sabe que eu não estava me dando bem como vendedor de bala no trem. Mas aí… Uma amiga da minha “prima do Paraguai”, trabalhava na rua vendendo bananada e meu deu a “planta” de um sinal/semáforo/farol onde eu poderia ganhar uns trocos vendendo amendoim ‘Croquíssimo’ (com casquinha de biscoito, hein!). Todo mundo que mora no Rio e Grande Rio já comprou ou viu alguém vendendo essa parada. Ali eu ficaria por mais de um ano ganhando uns trocados bem melhores que os do trem, mas não suficientes.

O macete era o seguinte: eu comprava pacotes que continham trinta saquinhos de amendoim, grampeava-os em pares e pendurava-os (com bilhetes) nos retrovisores dos carros que paravam no sinal/semáforo/farol vermelho. Os bilhetes diziam assim:

Bom dia!/Boa tarde!/Boa noite!
Desculpe o incômodo
Vendo duas unidades por R$1,00
Obrigado!

Observando de maneira superficial parece fácil, mas não é nem um pouco. O sinal ficava fechado por um minuto e eu tinha que avançar uma fileira de 10 carros, pondo a mercadoria nos retrovisores. Depois recolhia um por um (ou recebia) e voltava ao início para repetir o processo no próximo fechamento do sinal/semáforo/farol. Tudo isso era feito correndo, freneticamente.

Eu “trampava” das 9h às 12h, almoçava e ia ao colégio. Só voltava às 17h, quando o engarrafamento melhorava as vendas. O expediente ia até as 21h. Quando o dia de trabalho rendia, eu lucrava R$50 líquidos, dos quais: R$10 pra passagem, R$10 pro almoço, R$5 pro lanche, R$2 pro pão da manhã seguinte, R$3 pra gastar na lan house atualizando o antigo “Diário de 1 MC” e o que sobrava me garantia pelo menos o almoço e a passagem do dia seguinte, caso o lucro (sempre relativo) não fosse satisfatório.

O meu sonho era comprar uma cama. Dormi no chão por mais de um ano, e um tempo maior ainda em cima de um colchão de ar que dava um trabalhão pra encher, de vez em quando. No meu quarto não tinha móveis. Minhas roupas eram guardadas numa mala mesmo. E eu seguia trabalhando e estudando. Outro sonho muito antigo era comprar um notebook. Parecia impossível realizar esse último. Meu nome com restrição no SPC não ajudava nem um pouco

Chegou o meu primeiro verão na rua e… Continua na próxima terça-feira…

Seu comentário será  muito importante para incentivar a continuidade dessa história. Curtir é mole, quero ver tu compartilhar, hein!

Abs

@PetterMC

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4 pensamentos sobre “Na rua, garantia meu sustento em poucos segundos

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